Ubuntu 22.04 – Overview

O Ubuntu 22.04 foi lançado, prometendo adoção de tecnologias como Wayland, Pipewire, GNOME 41/42 e novidades visuais como parte das suas modificações do GNOME.

Instalação:

A Canonical estava (ou está?) desenvolvendo um instalador em Flutter, porém ainda não tiveram tempo e continuam com o mesmo instalador das versões passadas.

Fiz uma instalação “padrão” apenas habilitei a opção “instalar programas de terceiros…” afim de testar a questão de suporte de codec’s.

E deixei o tipo de instalação automático:

A partir desta tela de instalação levou aproximadamente 7 minutos para concluir. O tempo pode mudar dependendo do hardware, no meu caso usei uma VM via GNOME Boxes usando 8 nucleos do CPU + 4GB RAM + 24GB (em SSD).

Na tela de login, podemos ver que ainda vem com sessão Wayland por padrão, na qual foi adotada na versão 21.XX. Para usuários de Nvidia, por conta de um bug no driver, a Canonical reverteu para X11 quando detectado o driver no sistema, mas pode-se mudar para Wayland mesmo assim:

Ao fazer login tenho esta imagem:

Sim, algum bug para entrar na sessão Wayland usando driver gráfico básico do Boxes, existe uma opção para habilitar Aceleração 3D, se trata de um driver um pouco mais “potente” (virgl) que resolveu o problema.

Não creio que seja um requisito da sessão Wayland do GNOME, pois o Fedora com GNOME 42 inicia normalmente com o driver gráfico básico, então imagino que seja apenas um bug.

imagem do GNOME Boxes

Ao iniciar temos uma configuração inicial, basicamente a mesma das versões anteriores:

Usando uma resolução 1360×768, percebo um bug no grid, embora o GNOME upstream já teve bug’s relacionado a esta resolução, não ocorre com GNOME sem modificações do atual Fedora 36, novamente, chuto ser uma regressão causada por patchs downstream da Canonical?

Esquerda Ubuntu 22.04 / Direita Fedora 36

A Canonical não está usando libadwaita (apesar de o tema Yaru tentar imitar) e nem todos os app’s padrão não estão na versão 42, pois o GNOME está em uma grande transição para GTK4 nesta versão, mas felizmente existe Flatpak’s atualizados no Flathub caso queira!

Snap Store / Ubuntu Software

A escolha dos app’s padrão também não me agrada com estes joguinhos básicos, porém existe a opção de instalação “mínima” ou pode os app’s que não gosta via central de aplicativos, o nome da loja a princípio parece ser “Ubuntu Software” que é um fork da GNOME Software, na qual não suporta instalação de Flatpak’s.

obs: no momento, a loja não encontra os navegador Google Chrome e Microsoft Edge, pois não estão na Snapcraft que supostamente teria a Google e Microsoft como parceiros.

A curadoria ou controle de qualidade do que entra na Snap Store ainda é duvidosa, se encontra tudo que é lixo lá, além de muitos app’s CLI, ferrramentas para IoT servers, coisas obscuras/esquisitas, pacotes descontinuados…

Testando alguns Snap’s que estão disponíveis na loja de forma ootb para os usuários:

Kdenlive (que estava em uma versão desatualizada) inicia usando Wayland nativamente, o que causa bug’s visuais, pois o mesmo parece ser feito para funcionar sobre X11 ou no caso XWayland, não encontrei maneira de bloquear o socket Wayland como faço com o Flatseal nas permissões do Snap via GUI:

obs: é possível usar o Kdenlive nativamente via Wayland mas possui bug’s mesmo em máquina real.

Porém via CLI é possível “desconectar” o app do Wayland, assim forçando a usar X11/Xwayland, usei o comando:

snap disconnect kdenlive:wayland

Embora via XWayland apresentou outro bug até pior, não permitiu o redimensionamento e o botão maximizar sumiu:

GIMP (também estava em uma versão desatualizado) funcionou ok aparentemente:

OBS Studio

Roda nativamente via Wayland e os plugins para compartilhar tela funcionam com Pipewire + portais:

A demora fora do normal para abrir aplicações Snap ainda acontece, principalmente na primeira inicialização do app, mas as vezes volta a acontecer aleatoriamente, percebi muito isso com o Firefox, não sei se é algo que acontece depois de algum update do Snap ou do app em si.

Steam: a Canonical não mantem um Steam Snap, mas criou um pacote chamado “Steam installer” que junto ao .deb da Steam também instala outros pacotes que faz algumas configurações no sistema para compatibilizar automaticamente com joysticks e ativar libs32 bit no sistema:

Firefox – O navegador padrão via Snap (se tentar instalar o.deb será redirecionado ao snap igual ao Chromium) vem configurado para rodar via XWayland e é capaz de compartilhar o desktop / janelas via Pipewire normalmente:

obs: Apesar de usar Pipewire para vídeo, não é usado no roteamento de áudio. Para habilitar veja este artigo.

O Firefox já vem com suporte h264, o que dará compatibilidade a serviços de streaming de vídeo:

Flatpak

Apesar de a Canonical investir e dar preferência aos Snap’s, a essas alturas creio que muitos usuários de “Linux Desktop” já usou, usa pelo menos 1 ou vários Flatpak’s mesmo no Ubuntu.

Para adicionar suporte a Flatpak’s no Ubuntu veja aqui.

Creio não precisar usar ppa para o pacote flatpak pois atualmente está um uma versão próximo ao upstream (1.12.7) talvez eu não diga o mesmo daqui 6 meses ou 1 ano.

Ao instalar Flatpak’s já é instalado automaticamente o tema do Ubuntu (Yaru) também é uma maneira de usar os app’s em sua versão mais recente (gtk4 + libadwaita) mesmo alguns não ficando na cor em destaque que o sistema tenta definir.

Codec’s:

O sistema roda arquivos .mp4, .mp3 e possui visualizador de imagens e documentos. Consegue mostrar thumbnails no gerenciador de arquivos (nautilus 42.0)

Rhythmbox 3.4.4 e GNOME Videos 42.0

Personalização

Uma novidade do Ubuntu é o accent color, na qual não usa o mesmo padrão que o GNOME e ElementaryOS baseados em FreeDesktop.

Ao invés disso o são os vários temas com cores diferentes que você pode selecionar.

Em outras palavras, irá forçar a mudança do tema, mesmo se alguns app’s ficarem quebrados ou não tão legíveis com eles.

Outra coisa que notei, é que a mudança da cor não ocorre no momento que se é selecionado em alguns app’s.

Na imagem abaixo, mostro mudando para a cor Azul, na qual o gedit (41.0) mudou para a o tema Azul, porém o Calendário (41.2) e o Discos (42.0) não mudaram mesmo reabrindo os app’s. Foi necessário encerrar a sessão para funcionar:

Em “Aparência” também existe opções para mudar tamanho e posição de ícones no desktop e a Doca:

Algumas versões de pacotes:

kernel 5.15.0-25

GNOME Shell 42.0

Mesa 22.0.1

Driver Nvidia: do legacy 340 até o recente 510

Atualizações

O Ubuntu ainda usa o seu antigo “Atualizador de programas” que atualiza o OS (.deb’s) e Snap’s, é possível atualizar apenas Snap’s via Ubuntu Software e se for atualizar Flatpak’s, precisará do terminal ou instalar a GNOME Software.

Após atualização de partes críticas do OS o atualizador informa que precisa reiniciar, podendo optar por reiniciar

Também pode configurar a frequência de atualizações via aplicativo “Programas e atualizações”

Concluindo

Apesar de o Ubuntu parecer se esforçar para não oferecer uma experiência GNOME “pura” (que eu considero mais coerente, bonito e menos distrativa) em troca de sua marca, não acho que seja uma opção “totalmente não recomendável”.

Mas percebo que suas soluções são boas até a “segunda página”.

Por exemplo, solução Snap que disponibiliza muitos app’s out of the box, é uma baita solução certo? até descobrir que falta de alguns app’s famosos de empresas que se dizem parceiras da Snapcraft, como a Microsoft e Google, deixa a desejar no controle de qualidade, tanto dos app’s em si quanto na maneira que administram a Snapcraft, deixando muito lixo digital aparecer na cara do usuário que procuram por novas soluções.

Snap’s deixam a desejar no desempenho e para usuários mais “avançados” que não costumam gostar da maneira com que a tecnologia funciona, adicionando tempo a mais no boot com serviços dev-loop’s, falta de transparência e backend fechado da loja, na qual, o Snap se conecta por padrão.

Apresenta uma “super feature” de accent colors, que na verdade não tem nada de inovador, é facilitado o que usuários modificadores de sistema já faziam, é como ter o mesmo tema em algumas versões diferentes, mudando apenas as cores e selecionando via Tweaks. Ao invés de usar o padrão FreeDesktop adotado pelo GNOME / eOS para promover mais compatibilidade, coesão, menos bug’s aos desenvolvedores de app’s de plataformas diferentes.

Talvez nada disso importe para usuários comuns, mas não muda o fato que a Canonical poderia fazer as coisas de modo mais colaborativo, afim de beneficiar toda comunidade Linux e suas plataformas de Desktop.

Na minha opinião o Ubuntu deveria adotar mais agressivamente os Snap’s em seu sistema, colocando a prova sua tecnologia IoT adaptada para o desktop. Imagino um sistema imutável full Snap, totalmente modular + seguro, tanto no sentido de “segurança” quando na “inquebrabilidade”. Alguns vão dizer que a Canonical não tem recurso para tal coisa, eu diria que os motivos vão além de recursos, mas problemas técnicos que não conseguem resolver sem grandes mudanças…

Por fim, apesar de tudo, atualmente é um sistema Linux recomendável, provavelmente tem boa compatibilidade de hardware (pelo menos se você não adquirir hardware recente) e desempenho por usar pacotes recentes, talvez eu não diga o mesmo daqui um tempo, depende da velocidade que as tecnologias vão evoluindo.

Se deseja me dar sugestões, mande para fastos2016@gmail.com ou nas redes sociais.

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