Minha experiência com Wayland

Vou tentar passar aqui, um pouco da minha experiência de uso com Wayland no GNOME, que venho usando desde o Fedora 25 (aproximadamente).

Primeiramente, conhecendo um pouco mais sobre o Wayland, recomendo este vídeo do canal Toca do Tux:

Wayland

O Wayland pode ser uma alternativa ou substituto ao X.org. É chamado de “protocolo de servidor gráfico”. Inicialmente projetado por Kristian hosberg, tem como motivação, ser um protocolo de baixo nível, simplificando é fazer o acesso mais diretamente e com menos complicações/voltas como o X.org. Como a imagem da documentação mostra.

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O Wayland é usado no KDE Plasma e outros wm’s, mas creio que a melhor implementação e que tem maior desenvolvimento/atenção, seja no GNOME Shell. Onde tenho maior experiência.

Compatibilidade com drivers de vídeo

O Wayland, atualmente, é compatível com drivers open source, ou seja, para quem use mesa com Intel/AMD/Nvidia. É compatível com o Nouveau para Nvidia, mas não com o driver proprietário.

Nvidia

Já testei o Wayland com Nouveau com uma GTX 780 e 1060, como a arquitetura Kepler (série 700) tem melhor desempenho com Nouveau, tive uma experiência “ok” para uso básico, como navegador, vídeos etc (nada de jogos). Com a GTX 1060, apresentou instabilidades, portando não posso dizer exatamente que foi uma má experiência por conta do Wayland ou Nouveau neste caso.

Intel

Com Intel, uso em meu laptop CCE (n325) com i3 3gen + 6GB ram + HD 5200rpm. Foi o primeiro hardware com que usei Wayland, com o Fedora 25 (se não me falha a memória). Naquela época tive muitas instabilidades, travadas aleatórias em app’s e no próprio GNOME Shell. O que fez eu retornar ao Xorg (no login do GNOME se escolhe até hoje Wayland ou Xorg).

Uma ou duas versões do Fedora depois, retornei a testar o Wayland, já estava mais maduro, assim como vários app’s já com bug’s corrigidos para o XWayland (é uma ferramenta para rodar apps que usam o Xorg, dentro do Wayland automaticamente). E daí não saí mais, fiquei usando full Wayland no Laptop com Intel (HD 4000) notei que não tinha mais tearing ao ver vídeos em HD ou em qualquer outra aplicação. Não notei qualquer melhora no desempenho do sistema em si, apenas no próprio GNOME, que a cada versão fica mais fluido.

No desktop, testei com meu vídeo integrado do i7 4790k (hd4500) tive basicamente a mesma experiência que o i3, porém, com muito mais fluidez por conta da maior potencia do CPU e de todo o setup.

AMD

Então, em 2019 resolvi adquirir uma AMDGPU (RX 580 8GB) por querer ter a mesma experiência que tive com Intel no Wayland.

Neste artigo conto minha experiência comparando GPU’s AMD vs Nvidia.

Porém não tive a mesma experiência, pois foi muito melhor, além de mais fluidez, me proporcionou melhor responsividade no multitarefas quando com jogos abertos, coisa que com Intel não rola.

Jogos

Como comentei, tive melhor responsividade quando tenho um jogo aberto no Wayland, quando com Xorg sentia muitas travadas/lags no alt tab e no uso em geral. Com Wayland ainda sinto uma lentidão natural de ter uma aplicação pesada aberta (jogos) mas continua tranquilamente usável.

Já na parte de compatibilidade de jogos, não existe diferença, pois é usado o XWayland para rodar todas aplicações/jogos que usam o Xorg, então rodará tudo.

Porem existe bug’s (maioria já corrigidos nas versões mais recentes do GNOME) com redimensionamento ou mudança de resolução de alguns jogos, onde é necessário reiniciar o jogo para escalar corretamente. Não é algo que te impeça de jogar, mas ainda pode acontecer, principalmente em distribuições que mantém versões antigas do GNOME/Wayland.

No mais, atualmente não tenho o que reclamar, os jogos rodam fluidamente, assim como no Xorg, com a vantagem que menos chances de tearing, melhor fluidez quando usando o multitarefas com jogos abertos.

Aqui algumas gravações de jogos no Wayland:

Sobre o desempenho bruto comparando FPS, creio não existir, pelo fato de ainda estar usando o X no Wayland. Talvez se os jogos fossem portados para full Wayland, teria alguma diferença, mas como não existe (eu não tenho conhecimento de algum) a única comparação é Xorg vs Xwayland, que dá praticamente na mesma.

Consumo e recursos

Única comparação que notei alguma diferença, porem não muito significativa para mim, foi no uso de Vram.

obs: estes números não são universais, mudam de acordo com o hardware, monitor etc..

Na sessão Wayland, o sistema inicia com 290MB de uso de Vram

vram wayland

Sessão Xorg, com 344MB de Vram inicial.vram xorg

No mais, com uso de CPU e memória, estão praticamente empatadas.

Compatibilidade de Softwares

Aqui um ponto que atualmente está completo para meu uso, graças ao plugin criado pelo desenvolvedor do GNOME (Georges Stavracas) consigo utilizar o OBS Studio no Wayland.

Navegadores como Chromium (e derivados), Firefox e Chrome funcionam muito bem, em especial o Firefox do Fedora, que por padrão roda full Wayland e uso mais, possui alguns bug’s no redimensionamento de janelas atualmente, porém não é toda hora que acontece.

Creio que o ponto fraco é com compatibilidade de softwares de screencast ou compartilhamento da tela, por conta da natureza do Wayland, que foi criado focando na melhor segurança, que exige mudanças no comportamento de softwares de screencast.

Então se você faz live stream ou precisa muito de softwares como TeamViwer, ainda é mais recomendável usar sessão Xorg. Nada impede de você mudar de sessão quando não precisar usar estes softwares, como eu fazia a pouco tempo atrás, antes do plugin do OBS para Wayland.

Tenho certeza que ainda existe softwares (principalmente legados) por aí que não são compatíveis, mas creio estar ficando cada vez mais raro.

Conclusão

Como este artigo se limita meu uso / hardware, existe muitos outros aspectos a se comparar, como consumo energético, compatibilidade de outros softwares / hardwares, qualidade em telas 4k (que dizem ser melhor que Xorg) etc. Se eu adiquirir novos harwares, atualizarei este artigo.

Mas atualmente, Wayland no GNOME supre meu uso, e creio que o fator 0 tearing, ótima fluidez no GNOME (principalmente com jogos abertos ao mesmo tempo) e de quebra, ainda é uma tecnologia mais moderna, focada em maior segurança e em uma arquitetura mais inteligente, fazem eu preferir usa-lo no lugar do Xorg.

Creio que muitos haters não existiriam, caso o Wayland se chama-se Xorg 2!

Correções, atualizações e sugestões mande para fastos2016@gmail.com

Um comentário em “Minha experiência com Wayland

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  1. Parabéns pela análise.
    Creio que o Wayland substituirá o X quando estiver finalizado.
    Além de integrar a pilha de tecnologias do FreeDesktop, por ser portável, pode ser utilizado tanto em arquiteturas de 64 bits Intel, ARM e IBM Power, incapacidade técnica que o X não consegue superar.
    Será o servidor gráfico padrão do vindouro Gnome OS, sistema operacional destinado aos profissionais, programadores e desenhistas, para a iniciativa de, enfim, alavancar a plataforma Gnome e torná-la uma competitiva plataforma comercial. Abraço.

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